Banda Cabaçal

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Sítio Fortalezinha, Moreilândia/PE

Entrevista com Ruberlândio Alves do Nascimento (João) e José Alves de Souza Moraes (Zé Nonô)

Nesta belíssima região de encostas da Chapada do Araripe, vive, no sítio Fortalezinha, Ruberlândio, mais conhecido por João, jovem pifeiro de 25 anos. Apesar da pouca idade, ele domina o pife de maneira magistral e honra a tradição recebida de seus antepassados, em especial de seu avô, de quem ainda guarda os antigos instrumentos, inclusive um zabumba centenário. Começou a tocar pife ainda criança e quando tinha entre 8 e 11 anos de idade, formou uma bandinha mirim com amigos do lugar. Desfeito o grupo, apenas ele deu continuidade à arte do pife. As duas principais novenas em que João atua com o cabaçal (nome com que chamam as bandas de pífano nesta região) são Nossa Senhora Aparecida, em sua própria comunidade e Santa Luzia, em Cariri-mirim (Caririzinho). Foram lembrados ainda os tocadores Luis Militão (do Ceará, já falecido), Zé Doutor (pife), Citônio, Antônio Chagas e os Inácios: Raimundo, Manuel, João e Tico, dos quais apenas o último ainda é vivo e mora em Cabrobó. Sendo João o único pifeiro na região, na atualidade, a banda cabaçal funciona apenas na época das festas religiosas com o apoio de outros tocadores que vêm das comunidades vizinhas. Um destes tocadores é o zabumbeiro José Alves, que lamentou o pouco interesse que atualmente se tem pela banda cabaçal e lembrou de como ele começou, de outros tocadores antigos da região e da origem remota da banda.

João:

“Fui olhando eles tocando e eles me dizendo como era, né? Aí fui pegando o sonzinho, aprendi um pouco, né? Eu acho muito importante porque é de família, né? É antiga, tradição muito antiga. Eu acho importante porque um pedacinho de cano desse aqui, com esses furos, a pessoa fazer uma música. Acho muito importante.”

José Alves:

“Aprendi (zabumba) aqui mesmo. Com o pifeiro Antônio Chagas. (Ele) tocava tudo. Era zabumbeiro, era pifeiro. Os Inácios, eles são mais velhos, né? (Eu) ainda era mais novo. Eles tocaram muito. Eles eram os maestros aí do Caririzinho, né? Era quem tocava, quem começaram, né, a tocar aí. Aí foram se acabando e a gente foi entrando, tocando também. E fiquemo tocando até agora.”

“De primeiro, as festa era tudo festejado era com zabumba, né? Que isso é arte que já vem do começo do mundo. Banda cabaçal, né? É do começo do mundo. Mas aí não dão valor, né?”