Banda de Pífano Los Grandes

Localização

Local: Belém de São Francisco – Pernambuco

Entrevista com os integrantes da Banda de Pífano Los Grandes: Joaquim Antônio dos santos, Ivaldo João dos Santos, Edvanilson José da silva, Ivanildo João dos santos e Gilvan João dos Santos.

A Banda de Pífano Los Grandes é hoje uma banda familiar, composta por irmãos e sobrinho, numa linhagem de músicos que remonta aos avós e bisavós. A banda, que existe desde a década de 1940 com o nome Banda Calumbi, foi rebatizada com o novo nome por um médico da cidade de Belém, Jaime Lustosa, na época em que eles se apresentavam em uma ´paquera’ (clube), por volta de 1973. É uma referência ao nome que vem de família, tanto do pai dos atuais integrantes, João Grande, como do avô, Antônio Grande, ambos já falecidos. João Grande, caboclo, veio da ilha de Curaçá, cuja família, por sua vez, vem de Xoxó, no estado da Bahia. Era Carpinteiro, pedreiro, pintor, mecânico, agricultor, bom contador de ‘história de mentira’. Dominava vários instrumentos: banjo, sanfona pé-de-bode, violão, cavaquinho, trombone, entre outros. Já a esposa de João Grande é originária de Conceição das Crioulas, uma indígena, de acordo com os integrantes da banda.

A origem da banda está atrelada à capela do Senhor do Bomfim, construída em 1937, onde tocam todos os anos. Manoel Carpina foi o fundador da capela e o grupo de penitentes é quem dá o tom da festa, todos os anos, no mês de outubro. Deste tempo antigo, que acompanhavam João Grande, foram citados os tocadores Mané Cândido, Antônio Lopes, Veio Lagartixa (da Ilha Grande). Além de Belém de São Francisco, tocam em toda a região: Tacuruma, Manga de Baixo, Riacho Pequeno, Pambu, Serra Talhada e outros locais. Um destes é na festa de Santana, em 25 de julho, acompanhando os caretas, originários da Ilha de Casa, com toques específicos. Atualmente, os instrumentos de percussão da banda são industrializados e incluem um pandeiro, além de zabumba e caixa. Na ocasião da entrevista, a banda não contava com uma parelha de pífanos idênticos. A explicação para essa situação veio na forma de uma história pitoresca, contada pelo pifeiro Ivanildo: “Eu fui tocar na ilha, o barco entrou dentro dos mato, caiu, afundou, não consegui buscar lá embaixo, inté hoje fiquemo com um só. Na festa de Santo Antônio, na ilha. Caiu dentro d’água, fundo demais, ficou um. Esse aqui, inclusive, ele [Ivaldo] tava com ele, que eu fui num outro barco, o meu…”.

Ciente da tradição que carrega, o mesmo Ivanildo nos fala: “É uma coisa da cultura, foi formada por nossos bisavós e tamos aqui juntos e ensinando pros mais novos. É uma coisa que muita gente não sabe, aqui na cidade ninguém sabe, só nós. Se nós não tocar, não toca, tem que buscar longe. A gente tem que ensinar mais gente aqui pra poder não perder a tradição do pife, que isso aqui é muito importante.”

Sobre a vida na região de Belém de São Francisco, Ivaldo, irmão de Ivanildo e companheiro de pife, nos conta que “a importância da gente aqui, é que tem um peixe, tem um bode que a gente cria, tem um banho que é legal também, num final de semana. E os plantiozinhos, também, né? Plantio assim de macaxeira, mandioca, cana, bananeira, um pé de mangueira. Vários plantios que a gente planta aí também. Capim pra um animal, né? E tem turismo também.”

Músicos e Bandas

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